Entrevista com Francisco pelucio

Mesmo se mantendo próxima dos associados na pandemia, NTC&Logística planeja volta dos eventos presenciais para estreitar relações e fortalecer o setor


Atual presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio possui muitos anos de sua carreira dedicados às entidades de classe. Seu currículo conta com passagens pela ABTF, SETCESP, FETCESP e ABTI até assumir a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística no final de 2019.


Agora, após quase dois anos de pandemia, o presidente da entidade espera finalmente poder realizar os eventos de maneira presencial. “Esperamos que no próximo ano todos os cinco COMJOVEM Itinerantes, os dois CONET&Intersincial, a Comissão de Viação e Transporte e o nosso novo evento, o Seminário Trabalhista do Transporte de Cargas, possam acontecer de forma presencial, sem quaisquer restrições”.


Confira a entrevista completa:


Estamos aqui com o presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio. Para iniciarmos nossa entrevista, gostaria que o senhor fizesse um balanço do que foi esse ano de 2021 para a NTC&Logística.


Resposta: Primeiramente, gostaria de agradecer mais uma vez pela oportunidade de participar do anuário da NTC em 2021, meu segundo anuário como presidente da entidade.


Partindo para o balanço, 2021 foi um ano muito difícil, em que o principal evento do setor de transportes, a Fenatran, não acontecerá. Também tivemos dois CONET&Intersindical, o primeiro em fevereiro, que aconteceu de maneira totalmente virtual, e o segundo em agosto, em Belo Horizonte, de forma híbrida com a presença de 50 pessoas.


Ainda por conta dos efeitos da pandemia, tivemos uma redução no número de Itinerantes COMJOVEM e realizamos o Seminário Comissão de Viação e Transportes de forma totalmente on-line.


Ou seja, em termos de eventos, nosso ano foi muito difícil. A partir do Encontro Nacional da COMJOVEM, em novembro, conseguiremos realizar novamente um evento totalmente presencial e esperamos que, no próximo ano, todos os cinco COMJOVEM Itinerantes, os dois CONET&Intersincial, a Comissão de Viação e Transporte e o nosso novo evento, o Seminário Trabalhista do Transporte de Cargas, possam acontecer de forma presencial, sem quaisquer restrições.


O senhor falou que foi um ano difícil, mas também que foi um ano em que a NTC trabalhou bastante para atender às diversas demandas que surgiram. Gostaria que falasse a respeito de como o senhor viu o transportador rodoviário de cargas nesse período.


Resposta: Vou fazer 80 anos, 66 dos quais foram dedicados ao setor de transportes. Desde sempre, o transportador brasileiro foi e ainda continua sendo um guerreiro. Nós passamos por mudanças de sete, oito moedas no nosso país e diversos outros problemas e agora a pandemia, que está durando quase dois anos. No entanto, o profissional do transporte rodoviário de cargas (TRC), o transportador, sempre fez sua parte.


Mais uma vez, em um momento de crise, os empresários do setor de transporte mostraram sua eficiência e sua responsabilidade e não deixaram de abastecer o Brasil. Graças ao empenho do setor, a população não sofreu com desabastecimento nos mercados, nos postos, nem nas farmácias.


Durante esse ano, o senhor esteve com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e eu gostaria que o senhor fizesse um balanço desses encontros. Como você foi recebido depois desses quase dois anos à frente da NTC e de trabalho intenso em prol do desenvolvimento do setor?


Resposta: Eu assumi em janeiro do ano passado, e em março já entramos no estado de pandemia, então nós trabalhamos o dobro do normal para um presidente da NTC&Logística. Eu, que estou aqui na casa há mais de 30 anos e tenho mais de 20 em outras entidades, sei o quanto nós trabalhamos nesse período. Não só a NTC, mas as federações, os sindicatos, as associações e a CNT trabalharam muito em prol e em defesa do setor de transportes.


Com relação aos encontros com os representantes do governo federal, eles aconteceram duas vezes. No primeiro estivemos ao lado do presidente da CNT, Vander Costa, e, aproveitando o contato direto com o Ministro da Economia, Paulo Guedes, Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, e o presidente da Anvisa, Antônio Barra, reivindicamos algumas situações e mostramos o nosso lado da situação para que eles entendessem o que estávamos destacando. Já na segunda oportunidade, foi algo mais festivo, em que entregamos a Medalha de Mérito do Transporte para o presidente, Jair Bolsonaro, e nas duas ocasiões sempre fomos muito bem recebidos e sentimos que fomos ouvidos pelos representantes. Sabemos que as mudanças necessárias não são fáceis de acontecer, mas, enquanto presidentes de entidades de classe, é fundamental que continuemos a defender o setor em que representamos.


Falando ainda da relação da NTC com o governo federal, você também esteve algumas vezes com o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes. Eu gostaria que o senhor comentasse conosco como foram as tratativas com ele, levando em conta que a infraestrutura é uma grande dificuldade para o TRC.


Resposta: Recentemente, Urubatan Helou, Vander Costa, o ministro Tarcísio e eu estivemos em Porto Alegre para receber o Troféu Gaúcho do Transporte. Então, o setor de transporte rodoviário de cargas tem hoje um relacionamento muito bom não só com o Ministério da Infraestrutura, mas com a ANTT também.


Nesse último encontro, nós da NTC e a CNT levamos a nossa preocupação sobre o Documento Eletrônico de Transporte (DT-e), que era para ser um documento único, mas que nesse primeiro momento foi aprovado sem a eliminação dos demais documentos. Mostramos que estamos em cima desse assunto para que em breve possamos rever essa questão e realizar o sonho do TRC de ter apenas um documento, que facilitará muito a operação do setor.


Outro assunto muito importante, e sobre o qual a NTC vem atuando fortemente há mais de 10 anos, é a desoneração da folha de pagamento. Gostaria que o senhor falasse a respeito dessa questão e também do trabalho da NTC para que ela continue nos próximos anos.


Resposta: A NTC tem trabalhado pela desoneração da folha há algum tempo. Vamos completar o quarto ano com o setor desonerado. Não vemos razão para que essa desoneração volte a acontecer, uma vez que o Ministro Paulo Guedes declarou recentemente que o estado está batendo recorde de arrecadação. Então, se isso está acontecendo, por que voltar a onerar as empresas que geram e possuem o compromisso com os empregos?


Na visão do setor, se a desoneração da folha de pagamento acabar, vai haver uma perda muito grande de empregos. Acredito que essa atitude é completamente desnecessária nesse momento, e a desoneração é muito importante para a sobrevivência das empresas.


O DT-e foi considerado pelo Ministro da Infraestrutura como um dos grandes legados da pasta. Gostaria que o senhor nos falasse um pouco mais a sua opinião sobre o DT-e e da declaração do ministro Tarcísio.


Resposta: Acredito que, sim, esse pode ser um dos grandes legados da pasta. O DT-e não tem mais volta e já está encaminhado, porém nós temos que rever aquilo que foi mantido.

Se temos agora um documento eletrônico capaz de absorver todos os documentos físicos existentes, por que fazer com que o motorista leve consigo diversos outros documentos?

O DT-e, como um documento único, acelerará todos os processos e diminuirá as chances de sonegação de imposto.


Gostaria também que o senhor falasse um pouco mais da atuação e do trabalho desenvolvido pelo Departamento de Custos Operacionais (DECOPE) da NTC&Logística, que já existe há mais de 50 anos.


Resposta: Ao longo dos seus anos de atuação, o DECOPE vem realizando um grande trabalho com o objetivo de garantir um repasse adequado de custos para as empresas. Durante o CONET, ou seja, a cada seis meses, é divulgado um novo estudo para que todas as alterações que podem impactar os transportadores sejam calculadas e repassadas corretamente.


Como o senhor avalia a receptividade desses dados? Nós sabemos que existe uma dificuldade muito grande das empresas em repassarem esse custo. O senhor acredita que os estudos vêm cumprindo seu papel junto com o transportador?


Resposta: A NTC vem cumprindo seu papel, enquanto entidade, para alertar e atualizar os seus associados. Porém, muitas vezes o embarcador não cumpre os custos corretamente, e o próprio transportador aceita.


Em longo prazo, isso acarreta no fechamento de muitas empresas. Para termos uma ideia, a NTC foi fundada por cerca de 40 empresas, das quais não sobraram 7 ou 8 transportadoras. Isso acontece porque o empresário aceita trabalhar abaixo da tabela e, com tempo, não consegue mais repassar os seus custos, fazendo com que, infelizmente, ele tenha que fechar as portas, o que é muito desagradável para o nosso setor.


A NTC possui um contato muito grande com as entidades do setor. Seja com a CNT, com as federações e sindicatos, a entidade está sempre próxima e trabalhando em prol do desenvolvimento do setor. Gostaria que falasse um pouco de como o senhor avalia essa parceria entre as entidades no último ano.


Resposta: Ficamos mais distantes nesse período, com reuniões e eventos apenas on-line. Apesar dessas dificuldades que tivemos nos últimos dois anos, o que eu posso dizer é que cada presidente e cada entidade cumpriu muito bem o seu papel. Cada sindicato, cada federação e a confederação fizeram sua parte.


Então acredito que estamos muito bem entrosados. Desde a Seção de Cargas da CNT, presidida pelo vice-presidente da NTC, Eduardo Rebuzzi, até a CNT, com o Vander Costa, todos têm realizado um excelente trabalho. O nosso papel, de dirigentes e de defensores dos interesses dos empresários do TRC, está sendo muito bem-feito. Nenhum de nós ficou devendo em nada.


Para finalizarmos, gostaria que o senhor mandasse uma mensagem para os transportadores.


Resposta: A minha mensagem é que a gente entre com o pé direito em 2022 e que esse pesadelo de quase dois anos fique para trás. Que tenhamos um 2022 maravilhoso para realizarmos o nosso trabalho, nossas reuniões, eventos, visitas às federações, sempre de maneira presencial e tirando o melhor proveito dessa relação mais próxima. Também desejo, para todos os empresários, que o setor consiga prosperar e que as empresas tenham um ano ainda melhor em 2022.


Confira a entrevista na íntegra: