Urubatan Helou



Diretor presidente e fundador da Braspress, Urubatan Helou foi presidente interino da NTC&Logística nos últimos três meses de 2020.


Figura tão importante e respeitada no setor, Urubatan contou ao Anuário da NTC&Logística 2020 um pouco do que viu neste ano, tão atípico graças à pandemia causada pelo coronavírus.


Como você avalia o ano de 2020 diante da pandemia do novo coronavírus?


AN: O ano de 2020 tem duas vertentes. A primeira vertente é a questão que assolou a humanidade: a pandemia gerada pelo coronavírus está trazendo sérias consequências à vida humana. A segunda vertente é a dos negócios: a pandemia trouxe um ensinamento cruel, mas eficaz, pois nos fez sair da zona de conforto para que pudéssemos efetivamente modificar nossos negócios.


As pessoas costumam me perguntar o que foi que fez a Braspress dar um upgrade nos seus negócios em 2020, e a minha resposta é: o coronavírus. A melhoria digital e das plataformas digitais, a busca pelo aprimoramento do last mile e todos os outros processos que fizemos, inclusive a ampliação dos nossos negócios, decorreram do fato de que nós saímos da zona de conforto quando a pandemia se instalou no Brasil.


As entidades sempre tiveram um importante papel nas maiores crises da história desse país. Qual a sua avaliação do trabalho delas diante desta crise?


AN: Antes da crise atual, uma das piores que eu conheci foi a do plano Collor, que fez com que nossa economia fosse completamente devastada. Foi um período extremamente difícil, e já naquela ocasião as entidades de classe do transporte rodoviário de cargas (TRC) surgiram com muita força para que pudessem dar efetivamente o máximo de respaldo possível aos associados e às empresas do setor.


Passaram-se os anos, e o coronavírus nos pegou muito mais maduros do ponto de vista da nossa representação empresarial. Aí se destacam entidades como a CNT, com um trabalho formidável de cunho empresarial e principalmente humanitário ao oferecer todo o suporte aos motoristas nas rodovias. As empresas também cumpriram seu papel mantendo seu funcionamento mesmo diante da pandemia, realizando também ações sociais com transporte de álcool gel, máscaras e remédios. Isso tudo foi motivado e incentivado pelas entidades de classe, que produziram um setor mais maduro e com grande reconhecimento da sociedade brasileira.


O que o senhor projeta para 2021 e como será o futuro?


AN: O transporte rodoviário de cargas sempre foi um setor primário, de suporte à atividade econômica. A pandemia trouxe um fato novo: o TRC passou a ser essencial para a vida humana e demonstrou isso durante o período da pandemia ao exercer essa essencialidade. Assim como a logística como um todo, o setor de transporte tem um futuro retumbante. Nos próximos 10 a 15 anos, seremos uma atividade essencial à vida humana e isso nos transformará em um setor efetivamente indispensável para a sobrevivência do planeta.


Confira a mensagem enviada pelo presidente