Entrevista com Sérgio Gabardo

Tenho uma família em casa e uma família ainda maior na minha empresa

Por: Vanessa Felippe, Assessora de Imprensa da Fetransul

É esse ambiente que eu desejo para o SETCERGS

O novo presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Rio Grande do Sul (SETCERGS), Sérgio Mário Gabardo, é um empresário conhecido e respeitado em todo o país por seu trabalho no setor do transporte rodoviário de cargas. Nascido em 8 de dezembro de 1956 em Nova Bassano, no interior gaúcho, está acostumado a trabalhar muito, algo que sempre fez desde muito jovem. Sua empresa, a Transportes Gabardo, tem atuação no Brasil e na América Latina, com foco principal no transporte de automóveis. Apesar de ter alcançado o sucesso profissional, é um homem simples, com muitos amigos. Tem o hábito de ter frutas e balas em cima da mesa e miniaturas de carros e caminhões espalhadas pelo escritório na matriz, em Porto Alegre. É o tipo de chefe que liga para um colaborador quando descobre que ele está com algum problema.

Aos 64 anos de idade, Gabardo foi eleito para ser o presidente do SETCERGS em 2021 e 2022. Nesta entrevista, o empresário fala um pouco sobre sua trajetória, sua empresa, os desafios e oportunidades que vieram em 2020, mesmo com a pandemia, e também o que espera poder realizar em sua gestão no sindicato.

Senhor Gabardo, conte um pouco da sua história no transporte rodoviário de cargas.

Eu sou um agricultor, sempre fui e vou continuar sendo. Em 1981, fui fazer vestibular em Porto Alegre, passei para a faculdade de Direito, mas não consegui concluir porque não tinha dinheiro. Aí, apareceu um transporte para São Paulo, pois eu tinha o meu caminhão agrícola. Era um transporte de bancos de ônibus, para a montadora Miura. Fui falar com o responsável, e ele aceitou me dar a carga. Saí no fim da tarde de uma quinta-feira e cheguei na sexta-feira. Parei só para abastecer. Cheguei lá, descarreguei os bancos e aconteceu um episódio engraçado: o cliente disse que era a primeira vez que não tinha chegado nenhum banco rasgado! Ele ligou para o fabricante dos bancos para me elogiar. Então, essa história foi muito boa porque daí eu tive a oportunidade de começar a carregar outras coisas também. Depois de um tempo, eu comprei um caminhão da Miura. Tive que vender muita coisa, carro, televisão, mas consegui financiar. Foram doze anos que eu trabalhei transportando carros para eles. Com o fim da Miura, começaram a aparecer os carros importados, mas ninguém sabia transportar carro importado. Então, eu comecei. Comprei mais um caminhão e em seguida tive que comprar mais.

Ao que o senhor atribui o sucesso da sua trajetória e da sua empresa, a Transportes Gabardo?

A virtude foi ter contratado pessoas melhores do que eu para me ajudar a fazer a minha empresa, a Transportes Gabardo, que foi oficialmente fundada em 1989. No primeiro caminhão, tinha o nome da empresa e o telefone da minha casa! Depois, começamos a comprar mais caminhões e a contratar motoristas que deram muito certo. Hoje, a gestão da empresa é feita por ex-motoristas, incluindo eu. A empresa cresceu por causa das pessoas, porque são elas que fazem a empresa forte e sadia. Os meus colaboradores me ensinam a ser melhor. E outro ponto muito importante: crescemos falando a verdade e sendo transparentes com os nossos clientes. Se precisar, eu ainda pego o caminhão e dirijo. Até faço questão!

Que avaliação o senhor faz de 2020, um ano tão difícil para todos e também para o setor dos transportes?

Quando a pandemia e todos os problemas começaram, eu refleti muito. Tinha certeza de que precisava seguir trabalhando, pois tenho muitos colaboradores que dependem da empresa. O foco da nossa transportadora era e ainda é o transporte de automóveis e de veículos. Só que essa demanda tinha parado totalmente, então eu tive que pensar em uma alternativa: transportar máquinas agrícolas. Fiz contatos e ligações e deu certo. Então, entramos nesse ramo também e passamos a transportar máquinas agrícolas para toda a América Latina. Também conseguimos ampliar o transporte de caminhões para a Argentina, com 150 cargas por mês, garantindo o emprego de muitos colaboradores. Também tivemos, claro, que dar férias para muita gente, o que foi autorizado por medida provisória do governo federal. Conversamos com todos os colaboradores. Fizemos reuniões e palestras virtuais para explicar as mudanças e fomos muito transparentes ao dizer que as pessoas teriam que se adaptar ao novo sistema de trabalho. Ninguém pode administrar uma empresa sem uma estabilidade emocional e familiar. Transmitimos a mensagem de que seria um ano de nos ouvir e de nos respeitar mais, porque o ano não seria fácil. Perdemos um colega para a covid-19, que foi algo muito triste para todos. Trouxemos médicos para orientar nossos colaboradores sobre os protocolos de saúde. Tinha que ser o ano do entendimento, da compreensão e da ajuda, para que sobrevivêssemos. Foi um ano de muitas preocupações, mas, graças a Deus, terminamos 2020 agradecendo, porque conseguimos ter um ano maravilhoso. Com tudo isso, nossa empresa se tornou mais humana. Estamos mais unidos, mais fortes e mais preparados.

Como o senhor acha que será 2021?

Tem uma frase que diz que “mar calmo não faz marinheiro bom”. Acho que 2021 pode ser um ano de muito crescimento para as transportadoras. Não sabemos ao certo como vai ser, mas com certeza também vai depender muito de nós mesmos. O segredo é se preparar. E o que é se preparar? Em primeiro lugar, é preparar as pessoas que estão com a gente. Fazer o nosso colaborador forte, feliz. Fazer o bem para receber o bem. Se você fizer o outro melhor, você não perde, você ganha. Todos ganham.


O que o senhor espera realizar como presidente do SETCERGS, um sindicato com 61 anos de história?

Eu acho que só sobreviverão as empresas e as entidades organizadas. Hoje, a palavra que mais se fala é sustentabilidade, no mundo todo. Quem não se adaptar e não buscar ser uma empresa sustentável, com certificações que atestem esse compromisso com a sustentabilidade, vai estar se preparando para deixar o mercado. As empresas querem trabalhar com outras empresas que não tragam problemas para elas. Então, acho que, em primeiro lugar, temos que adotar uma doutrina de preparar as transportadoras para trabalhar da maneira mais correta possível, com certificações como o Programa Despoluir, o Carbono Zero e tantas outras. Também me preocupo muito com a profissão dos motoristas. O motorista está desaparecendo. Precisamos capacitar novos condutores, porque a profissão mudou muito. Na minha época, os caminhões eram mecânicos. Hoje, é completamente diferente. É possível ir de Porto Alegre a São Paulo sem tocar em nada além do volante. Porque tem muita tecnologia, o que é bom, e vai aumentar cada vez mais, então as empresas também devem se adaptar a essa mudança. Mas o motorista precisa estar inserido neste contexto novo, saber usar o que está ao seu alcance. Tem que saber conferir nota eletrônica, passar pelo pedágio com o eixo levantado, saber em que estado o diesel é mais barato. Não é mais só dirigir. Vamos ter que ter muito diálogo. Eu quero conversar muito com a nova diretoria do sindicato para que todos entendam a necessidade dessas e de outras mudanças. Quero que seja um sindicato da renovação, do diálogo, da união, uma entidade de portas abertas. O clima bom que eu tenho na minha empresa eu quero levar para o sindicato. Eu tenho uma família na minha casa e uma família ainda maior dentro da empresa. É esse ambiente que eu desejo para o SETCERGS.

Na sua opinião, por que é importante ser associado a um sindicato patronal?

Muitas empresas ainda têm a seguinte mentalidade: “Mais uma conta para pagar”. Só que não se dão conta do retorno que ser um associado pode trazer. A contribuição sindical se paga e dá muitas vantagens. Uma entidade falando é diferente de uma pessoa ou de uma empresa falando. Unidos, nós somos mais fortes. Sozinhos, nós perdemos força e representatividade. As transportadoras, juntas, têm muito mais respaldo para dialogar com o governo, para negociar com fornecedores, para lutar por nossas demandas. Nós precisamos uns dos outros para somar esforços. Não precisamos pensar todos da mesma forma, mas precisamos focar no que, de fato, importa: o nosso setor e as pessoas que movem as nossas empresas e entidades. Espero conseguir esta valorização, com a ajuda de todos.


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