SINDIPESA | Segmento de transporte e movimentação de cargas pesadas sofre há anos com outra epidemia



O ano de 2020 iniciou com uma clara m


elhora na demanda para o setor de transporte e movimentação de cargas pesadas, mas logo foi fortemente afetado,


como todo o mercado, pela pandemia da covid-19.

Porém, há anos que o segmento vem sofrendo de outra epidemia. As empresas locadoras de guindastes e as de transportes pesados e excepcionais vêm experimentando várias crises que se repetem ciclicamente com pequenos intervalos de crescimento e melhoria no volume de serviços para o setor, além dos graves problemas de infraestrutura.


Crises econômicas de menor intensidade, que por vezes não afetam outros segmentos econômicos, impactam profundamente os segmentos de transporte e movimentação de cargas pesadas, pois qualquer intensidade que seja afeta o andamento de investimentos em obras, sejam elas de pequeno ou grande porte. No entanto, quando falo de epidemia, não estou me referindo a crises econômicas nem à infraestrutura.


Refiro-me à enorme deslealdade comercial que impera há anos no segmento gerada pelas próprias empresas prestadoras desses serviços, aviltando cada vez mais os preços. Isso vai crescendo como bola de neve e afetando mais e mais empresas, em alguns casos inconscientemente, mas em muitos outros premeditadamente.


Como empresas que praticam preços aviltados sobrevivem por tanto tempo? Entre as más práticas adotadas, podemos citar o desrespeito às legislações emanadas pelos órgãos com circunscrição sobre as vias; sonegação de peso da carga e do equipamento transportador, visando realizar transportes para os quais não possui equipamento correto ou simplesmente para pagar menor valor de taxas; não pagamento de impostos; constantes atrasos da folha de pagamento; desconhecimento dos custos reais da empresa; baixo nível de treinamento e qualificação da mão de obra; manutenções com qualidade aquém do necessário; realização de serviços sem a devida atenção técnica; não planejamento da movimentação de carga; e desrespeito com a saúde e o meio ambiente.


Essas são algumas, mas há outras, e todas se caracterizam por deslealdade comercial, falta de ética e desvio de conduta.


Muitas empresas, hoje, continuam operando somente para pagar a folha de pagamento, fornecedores e impostos, e muitos nem isso têm conseguido. Algumas por opção e muitas outras por impossibilidade. Como será na hora de renovar a frota? Como pensar em inovação diante deste cenário? Essas são algumas das centenas das perguntas que se podem fazer.


A pandemia de covid-19 veio agravar ainda mais o que já não estava indo bem. Porém, quando tudo isso passar, espero que todos estejam bem de saúde e que passem a olhar com mais cuidado as boas práticas, fundamentais para a sobrevivência do segmento.


Júlio Eduardo Simões

Fundador e presidente da Locar Guindastes e Transportes Multimodais Ltda desde 1988. Assumiu a presidência do SINDIPESA em 2017.