Entrevista com Francisco Pelucio

Os grandes desafios de 2020 e a as conquistas da nova gestão

Atuante no transporte rodoviário de cargas desde os 14 anos, Francisco Pelucio traçou um grande caminho no setor. Em seu currículo estão passagens pela ABTF, SETCESP, FETCESP e ABTI, até no final de 2019, aceitar o desafio de presidir a NTC&Logística, uma das entidades mais importantes para o segmento de transporte de cargas do Brasil.


Francisco faz questão de destacar a importância da entidade e o orgulho de poder atuar como presidente da mesma. Cita os presidentes anteriores como inspiração e afirma “estou buscando fazer o melhor para quem sabe um dia, chegar perto de onde esses grandes presidentes estão na história da entidade”.


Logo no seu primeiro ano de mandato, Francisco Pelucio encarou desafios jamais imaginados pelos transportadores. A pandemia do novo coronavírus que arrasou a economia mundial, impactou negativamente o transporte rodoviário de cargas.


Mesmo com tantas dificuldades, a NTC esteve sempre buscando soluções para que o transporte rodoviário de cargas pudesse continuar movimentando o Brasil. Em um momento complicado, a entidade se reinventou e criou lives informativas com pesquisas importantes, desenvolveu eventos online e manteve o seu compromisso de auxiliar e defender os associados e não associados.


Confira a entrevista completa:


Para iniciarmos bem a entrevista, gostaríamos que você contasse um pouco da sua história no TRC, sabemos que você sempre foi muito ativo no setor e que tem uma bela caminhada para nos contar. Então quem é Francisco Pelúcio?


Resposta: Francisco Pelucio era um garoto de Marília, que começou fazendo um pouco de tudo, sendo engraxate com 9 anos, lavando vidros de farmácias e que aos 14 anos ingressou no transporte rodoviário de cargas. Àquela época, fazia entregas de Marília à dracena, tudo estrada de terras.


Já posso dizer que nasci transportador rodoviário de cargas, porque meu querido pai era transportador, mesmo que através de carroça, onde fazia transporte de areia pela cidade.


Aos 19 anos fui convidado a vir morar no Brás, no quartinho no fundo da empresa que atuava, na rua Martim Burchard, 496, me lembro até hoje. Fiquei por dois anos e em 1964, fundei a transportadora 1040, que agora em março está para completar 57 anos. Também criei a TriMundial Transporte Ltda e a Pelori Logística.


Passando para a área de representação nas entidades. Desde o início, através da 1040 eu era associado a NTC&Logística e ao SETCESP. Depois me tornei sócio da Associação Brasileira de Transportadores Frigoríficos, onde fui para Curitiba para uma Assembleia, através de um convite do Sr. Ladair Michelon, que é o responsável por eu ser o que sou hoje dentro das entidades representativas do Transporte.


Em Curitiba e sem nunca ter pego o microfone em mãos, fui eleito presidente Associação Brasileira de Transportes Frigoríficos, onde fiquei por 13 anos.


Consegui trazê-la para dentro do palácio do transporte, juntamente com o Geraldo Vianna, que era presidente executivo do SETCESP na época. Em seguida, fui eleito presidente da ABTI - Associação Brasileira de Transportes Internacionais, fiquei por dois anos. Fiz a transferência da entidade para seu maior trabalho, transferindo a ABTI para Uruguaiana.


Em seguida, fui convidado para participar do SETCESP como diretor, depois passei para ser o financeiro da FETCESP onde fiquei por 15 anos e fui vice-presidente. Por mais 15 anos participei do financeiro da NTC&Logística, fui presidente do SETCESP por outros 6 anos e sou diretor da sessão de cargas da CNT a mais de 25 anos.


Agora, em 2020, estou prestes a completar meu primeiro ano presidindo essa grande entidade que é a Associação Nacional do Transporte de Cargas – NTC&Logística.

Esse é o Chico, dos 14 aos 78 anos.


Ainda falando sobre as entidades de classe, quão importante é a atuação dessas organizações no desenvolvimento do Transporte de Cargas no país?


Resposta: O TRC não é nada sem as entidades. Nós temos a representação primeiramente da CNT, depois da NTC, ABTI, ABTLP e outras Associações, depois as Federações e Sindicatos. Cada um fazendo sua parte.


As entidades de classe, têm como principal objetivo representar os profissionais e o setor no qual ela faz parte, além disso, ajudamos a desenvolver a imagem do segmento perante a sociedade, bem como dar notoriedade frente ao Congresso Nacional e demais esferas políticas.



A NTC&Logística recentemente completou 57 anos, uma entidade super respeitada pelo trabalho que desenvolve, principalmente através das pessoas que estão a frente dela e que tem compromisso com o setor. Gostaria que o senhor falasse qual a importância para você, representar uma entidade com essa abrangência.


Resposta: É uma grande importância e fico extremamente orgulhoso. É uma responsabilidade enorme substituir grandes presidentes, como Orlando Monteiro que foi o fundador da entidade e através de um trabalho do SETCESP na minha gestão enquanto presidente, hoje dá nome a rua que o Palácio do Transporte está localizado, Oswaldo Dias de Castro, Domingos de Oliveira Fonseca, Geraldo Vianna, Flávio Benatti, nosso grande presidente José Hélio Fernandes que me antecedeu e Urubatan Helou que assumiu a entidade em setembro a dezembro de 2019 quando o José Hélio precisou se afastar no final da sua longa e vitoriosa jornada.

Hoje estou como presidente, buscando fazer o melhor e quem sabe um dia chegar perto de onde esses grandes presidentes estão na história da entidade.

Vamos falar agora do atual momento. 2020 foi um ano atípico devido a pandemia do novo coronavírus. Como a NTC avalia o ano para o transporte de cargas e quais os principais impactos para as empresas?


Respostas: Realmente o susto foi muito grande, continuamos preocupados, mas esperamos que o vírus possa ser eliminado o mais rápido possível através da vacina que está sendo desenvolvida.


Tivemos meses de muita preocupação. O que sobrou para nós foi a demonstração da responsabilidade do transportador rodoviário brasileiro, que com todas essas dificuldades continuou fazendo o seu papel de movimentar o Brasil, com os devidos cuidados apresentados pelos Órgãos de Saúde.


Falando agora sobre impactos, a pesquisa da NTC foi sempre muito clara e fiel aos transportadores, tivemos em abril uma queda no volume de cargas de aproximadamente 45%, o que resultou em queda de faturamento de até 80% em algumas empresas. Apesar disso, continuamos em pé, mantivemos nosso dever de transportar o nosso país e como estamos dizendo constantemente, o transporte brasileiro não parou e nunca vai parar.


Mesmo diante das dificuldades, a NTC continuou próxima dos seus associados e do setor como um todo, gostaria que você comentasse um pouco dos esforços que a NTC fez durante toda a pandemia para manter seus associados seguros e informá-los das situações que mudavam quase que semanalmente.


Respostas: Foi uma luta da NTC sempre em parceria com a CNT. Buscamos soluções para os problemas que surgiram, com uma forte atuação política continuamos auxiliando os transportadores a terem menos prejuízos com a crise que abalou a todos, entre nossas conquistas nessa atuação posso destacar a prorrogação do vencimento da carteira de motorista e dos cursos obrigatórios para que esses profissionais pudessem continuar transportando.


Além disso, logo no início da pandemia, a NTC prontamente se colocou no mundo digital através de lives que trouxeram diversos conteúdos para os associados e a comunidade do TRC em geral. De forma rápida e eficiente, a entidade trouxe informações relevantes que informaram e confortaram, de alguma forma, os transportadores. Foram mais de 20 semanas de pesquisa para sabermos o impacto do coronavírus no setor e mais de 40 lives para discutir temas importantes e atuais no transporte rodoviário de cargas.


Quão importante foi a atuação do DECOPE durante o período de pandemia?


Respostas: O DECOPE fez o seu papel e a NTC&Logística mostrou mais uma vez a sua liderança e preocupação com os associados e não associados, pois tratamos todos com a mesma importância. Então, acredito que tenha sido um grande trabalho, com a pesquisa semanal sobre a pandemia, que perdurou por cerca de 6 meses e foi divulgada e debatida semanalmente nas Lives da NTC pelo YouTube.


Com certeza esse esforço que fizemos através das pesquisas auxiliou e informou diversos empresários do setor que assim como a maioria, estavam passando por dificuldades.



Vimos recentemente que existe a possibilidade de o governo extinguir a desoneração da folha de pagamento. Como isso impactaria o setor e consequentemente a economia como um tudo?


Respostas: A desoneração nasceu em uma luta do SETCESP, comigo presidente. Aqui na NTC nós já estamos terminando o terceiro ano de desoneração da folha, o que é uma grande conquista do setor.


Continuamos a nossa luta, e juntamente com a CNT estivemos no congresso, Câmara dos Deputados e Senado, sempre acompanhado do Flavio Benatti, da Edmara Claudino e do nosso grupo de trabalho. Conseguimos a aprovação quase unânime para que a desoneração continuasse por mais um ano, mas o nosso presidente Jair Bolsonaro vetou. Agora, estamos esperando que haja um entendimento maior das equipes de trabalho para que possamos continuar com essa desoneração por pelo menos mais ou ano, para quem sabe sonharmos com uma extensão permanente a partir de 2022.


O fim da desoneração da folha de pagamento aumentaria os custos das empresas de transporte de cargas, diminuiria o número de empregos e como o transporte de cargas é um serviço meio, impactaria negativamente toda a economia do país. Por isso a desoneração da folha de pagamento é tão importante, não apenas para o TRC mas para a economia e cadeias produtivas como um todo.



Quais as estratégias da NTC para valorizar mais o frete e equilibrar melhor a balança?

Repostas: Nós temos o DECOPE que desenvolve estudos semanais e os divulga através do CONET duas vezes por ano. Esse estudo cria padrões para que o frete não seja desvalorizado, mas infelizmente, vemos muitas transportadoras que não cobram os valores estudados. Assim, o que cobra errado está defasando o frente, pois trabalha com valores mais baixos, não recolhe impostos e fica devendo ao Estado.


Como a NTC tem participado das discussões sobre renovação de frota e quão importante é ter um programa de renovação de frotas eficiente?


Respostas: Estamos falando de renovação de frota a mais de 20 anos, quando fomos até o então Ministro Pimentel, mas devido a impasses políticos não houve uma finalização nas negociações. Sempre que existe uma troca de ministro, as negociações voltam a estaca zero.


Nossos diretores estão cuidando desse assunto com bastante carinho. Na abertura da Fenatran de 2019, o presidente da NTC&Logística em exercício Urubatan Helou foi muito feliz em enfatizar a necessidade da renovação de frota no nosso país e cobrar o governador do estado de São Paulo, Doria.


O trabalho está sendo feito. O grande problema é ter caminhões e veículos de passeios de 30 a 40 anos que sofrem com problemas e quebram nas nossas rodovias. Esses veículos poderiam ser vendidos para siderúrgicas e reinvestir nessa estrutura para criar um programa de renovação de frota eficiente. Pode demorar mais um pouco, mas vamos conseguir renovar nossa frota. Não podemos aceitar que os veículos com 20 anos de uso sejam a maioria no país.


Como você tem visto as atuações da COMJOVEM no desenvolvimento de jovens empresários nos últimos anos?


Resposta: O trabalho da COMJOVEM é realmente maravilhoso, temos atualmente cerca de quatro ex-membros da COMJOVEM que atuam como presidentes em sindicatos, começando pelo Tayguara Helou no SETCESP.


A COMJOVEM Nacional surgiu no mandato do Flávio Benatti como presidente da NTC&Logística. Atualmente são 13 anos de comissão com mais de 500 empresários distribuídos em 25 núcleos no país, todo mundo trabalhando e, agora nesse momento de pandemia, os integrantes demonstraram nas lives a capacidade e o preparo para tratar de temas do setor.


A CNT, por meio do SEST SENAT fez um trabalho muito importante nesse momento de pandemia, tanto para os motoristas profissionais e autônomos. Como o senhor avalia esse trabalho nesse momento e ao longo dos anos.


Resposta: Eu estava em Brasília no dia da conquista da criação do SEST SENAT, que acabou de completar 27 anos e agora conta com cerca de 150 unidades em todo o país.

O Vander tem substituído o Clésio Andrade muito bem, fazendo um grande trabalho, com um carinho e apoio a todos os motoristas de caminhão do nosso Brasil, hoje nós temos simuladores de direção em quase todas as unidades, para que as profissionais possam fazer os cursos necessários.


Além disso durante todo esse período de pandemia, a CNT e o SEST SENAT fizeram uma cobertura especial, com diversas ações para a distribuição de refeições, em momentos que os restaurantes estavam fechados, entrega de máscaras e álcool gel. A entidade também cedeu diversas de suas unidades que viraram pontos de exames da Covid-19 para os motoristas.

Acredito que tem sido um grande trabalho da CNT, e devido a isso, não tivemos muitos casos mesmo com todos trabalhando.


Como você avalia esse primeiro ano de gestão e qual será o principal enfoque na atuação da entidade no ano que vem?


Resposta: Nesse primeiro ano de gestão, continuei uma ideia e um sonho do nosso ex-presidente José Hélio Fernandes, que dizia que “A NTC precisa caber dentro do seu orçamento”, e esse trabalho nós fizemos quando eu era tesoureiro financeiro.


Hoje posso dizer que uma das nossas principais conquistas é dizer que a NTC&Logística cabe dentro do seu orçamento, nós estamos com a casa em dia. Acredito que é uma grande vitória.

Outra vitória, como falamos, foi a conquista e prorrogação da desoneração da folha de pagamento por mais um ano, mas que infelizmente foi barrada e esperamos que ela venha agora com um acerto entre senado, câmara dos deputados e governo.


Nós fizemos a nossa parte até agora, com toda dificuldade que a pandemia nos trouxe e para o ano que vem, acreditamos que dia melhores virão. A NTC continuará aqui e analisará novamente as necessidades de cada empresário e empresa, pois esse é o papel dela, e irá a luta pelas necessidades desses transportadores.


Como conquistas para o ano que vem, acredito que, caso aconteça, será a reforma tributária e administrativa, que auxiliaria todo o setor de transportes imediatamente.


Para finalizarmos, gostaria que o senhor deixasse uma mensagem para os transportadores que confiam no trabalho da NTC e de todas as outras entidades que fazem parte da associação.


Resposta: Com muito orgulho, que quero dizer para cada um de nossos empresários do transporte rodoviário de cargas, cada um dos profissionais, sejam eles do escritório, do armazém ou motorista desse nossos país para contarem sempre com a gente e trazerem suas necessidades para nós, para entendermos, representarmos e lutarmos pelos direitos do transportador rodoviário de cargas.


Confira a entrevista na íntegra:


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