Entrevista com Roberto Mira

Preocupação constante com a segurança nas estradas



Para iniciarmos a entrevista, gostaria que o senhor nos falasse um pouco de como foi assumir a vice-presidência de segurança, um cargo tão importante na NTC.


AN: No primeiro momento, quando me chamaram para assumir o cargo de vice-presidente de segurança, eu pensei que seria tranquilo, mas confesso a você que não foi.


Logo no início eu fui para cima com muita força, tentando diminuir de forma intensa o roubo de cargas em todo o país. Procurei polícias e recomendei que elas fizessem ações mais efetivas para combater os crescentes números do roubo de cargas. Na época, isso vazou para o crime, fui até ameaçado de morte. Portanto, nesse primeiro momento não foi fácil, não.


Mas como não sou de desistir fácil, nos concentramos na redução do roubo de cargas e seguimos adiante nessa questão tão importante de segurança.


Quais os principais desafios de lutar pela segurança do transporte rodoviário de cargas?


AN: O principal desafio é reduzir o número do roubo de cargas em todo o Brasil. Para isso, tínhamos que fazer algumas mudanças nas legislações – e fizemos diversas. Por exemplo, implementamos em oito estados da federação o Procarga, que é a união de setores da justiça e polícias, como o Ministério Público, Polícias Civil, Militar, Rodoviária, Estadual e Federal para debaterem e criarem planos efetivos para combater os receptadores.


Se diminuirmos os receptadores, o criminoso não terá para quem vender e esse tipo de delito não será vantajoso. Então inicialmente o foco foi o receptador, e foi fantástico, pois as organizações criminosas perceberam que estávamos criando um sistema eficaz contra o roubo de cargas.


Como a pandemia do coronavírus impactou o roubo de cargas no TRC?


Resposta: Não vejo que tenha impactado em muita coisa. Claro que, com a redução no volume de cargas transportadas, os roubos também estão menores, mas proporcionalmente essa diminuição parte das nossas ações de prevenção e de combate ao crime. Então com relação ao roubo de cargas eu não colocaria o coronavírus como destaque para essa diminuição.


O que o governo federal tem feito para diminuir o número de roubo de cargas nas estradas

do país?


AN: Agora que o governo federal está acertando com a Polícia Federal e as coisas estão se encaixando, temos uma demanda com o governo federal para que façam mais ações nas estradas e nas grandes capitais no combate ao receptador. Isso já está pautado e vai acontecer, então tenho certeza de que o governo ajudará nesse combate.


Estamos trabalhando com o governo federal para que o perdimento do CNPJ do receptador de cargas seja mais assertivo. Além disso, já temos em alguns estados o perdimento da inscrição estadual, e em muitas cidades o receptador está perdendo a sua licença de funcionamento municipal. Isso é mais uma ação que estamos fazendo e tenho certeza de que, quando conseguirmos abranger todo o Brasil, teremos pouquíssimos roubos.


Sabemos que existem medidas para que as transportadoras estejam mais seguras quanto ao roubo de cargas. Quais delas tem sido mais efetivas nesses aspectos?


AN: As mais efetivas são sempre relacionadas às tecnologias, ou seja, a tecnologia está em primeiro lugar no combate ao roubo de cargas nas transportadoras.


A transportadora tem que rastrear muito bem o caminhão e a carga, e já existem muitas tecnologias à disposição do empresário do transporte. O motorista também tem que ser bem treinado, e existem diversas outras funcionalidades que protegem os caminhões e as cargas contra os roubos.


O empresário do transporte que quiser ter um bom resultado contra o roubo de cargas precisa tomar todos os cuidados. Quando o roubo acontece, a transportadora precisa utilizar os dados criados pelas tecnologias disponíveis e levá-los até a polícia para auxiliá-la nessa busca.


Hoje a minha empresa é uma das menos roubadas do Brasil. Gosto de frisar isso pois serve de exemplo para que os transportadores utilizem as tecnologias e sejam ativos na busca pelas cargas roubadas.


O que ainda falta para que o Brasil tenha um combate mais efetivo contra o roubo de cargas?


AN: Faltam mais ações para os empresários do transporte contra o roubo de cargas e mais ações das polícias enquanto órgãos de segurança pública.


No entanto, tenho certeza de que essas ações que estão sendo realizadas, e o nosso esforço para criar ações vai impactar positivamente todo o setor.


É importante também que o embarcador entenda a necessidade da segurança durante todo o transporte. Daí vem a importância do frete valor, principalmente nas cargas fracionadas, que requerem um maior cuidado com tecnologia, logística e transporte.


Conscientizar o embarcador da necessidade do frete valor é um dos maiores problemas enfrentados pelos empresários do transporte atualmente.


Quais as expectativas para 2021 no que tange ao roubo de cargas?


AN: Acredito que em 2021 teremos ações pontuais da Polícia Federal em conjunto com a Polícia Rodoviária para continuar diminuindo o roubo de cargas. Fundamentalmente nos oito estados com maiores índices, essas ações precisarão ser mais firmes.


Esperamos que em 2021 o número seja menor que 2020, que já foi menor que 2019. Ou seja, estamos conseguindo combater e diminuir os índices de roubo de cargas em todo o Brasil.