A importância da busca pela equidade no transporte rodoviário de cargas



O transporte rodoviário de cargas (TRC) ainda é considerado um setor majoritariamente masculino. De acordo com um estudo do Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC) apresentado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região (SETCESP), 66% dos colaboradores das transportadoras são homens e 73% dos cargos de liderança executiva são ocupados por profissionais do gênero masculino. Apesar dessa discrepância, a pesquisa mostrou que 79% das mulheres acreditam que o setor de transporte rodoviário de cargas pode abrir oportunidades para posições superiores às atuais e 61% veem que as chances apresentadas são iguais.


Ainda distante da maior equidade, o setor de transportes vem vivenciando uma certa mudança e gerando mais espaços para que as mulheres possam se desenvolver. No início do ano, realizei uma breve pesquisa para analisar os números de mulheres que participam da COMJOVEM, e o resultado me surpreendeu. Dos 37 núcleos (grupos estaduais ou municipais do setor) que fazem parte da comissão, 16 (43,1%) já contaram com uma mulher à frente da coordenação. Durante os 12 anos de história da COMJOVEM, 33 mulheres foram coordenadoras de seus núcleos. Em 2020, sete mulheres são coordenadoras (33%) e 16 marcam presença na vice-coordenação (76,1%). Esse dado fica mais interessante quando pensamos que até pouco tempo atrás a COMJOVEM Nacional era comandada por uma mulher. Ana Jarrouge foi coordenadora nacional da comissão durante oito anos e inspirou mulheres a participarem da COMJOVEM e do TRC como um todo. Agora, como vice-coordenadora nacional, quero continuar esse legado de busca pela equidade no setor.


Apesar de não existir uma filosofia específica para dar mais espaços para as mulheres, isso já faz parte da cultura da COMJOVEM. Essa breve pesquisa nos mostrou que a Comissão de Jovens Empresários da NTC&Logística está fazendo um trabalho essencial para o transporte rodoviário de cargas, preparando cada vez mais mulheres para ocuparem cargos importantes no setor de transporte de cargas, sejam eles nas suas empresas ou até mesmo nas entidades de classe.


Outro exemplo positivo é o SETCESP, que por meio de Ana Jarrouge, atual presidente executiva do sindicato, está desenvolvendo o projeto Vez e Voz, que busca valorizar as mulheres que trabalham no setor de transporte rodoviário de cargas e fomentar seu crescimento profissional dentro do próprio setor não apenas para os cargos de liderança executiva, mas também para cargos administrativos, operacionais e motoristas profissionais.

Essa mudança de cenário está acontecendo, e a equidade será muito benéfica para o desenvolvimento do TRC como um todo. A busca por um setor mais diverso e igual não busca colocar as mulheres em cargos atualmente ocupados por homens, mas trazer diferentes visões de mundo e pensamentos. Mulheres e homens encaram as situações de maneiras distintas de acordo com as suas experiências, e, para o transporte rodoviário de cargas, ter essa pluralidade será essencial para que as tomadas de decisões sejam mais assertivas e causem impactos positivos.


Acredito que andamos alguns importantes quilômetros na busca pela equidade e com certeza percorreremos ainda mais. Estimulando o aprendizado mútuo, criando uma rede de networking e diversificando o setor, o trabalho da COMJOVEM é fundamental para trazer novas visões e para buscar sempre a melhoria do transporte rodoviário de cargas como um todo.


Joyce Bessa Vice-coordenadora nacional da COMJOVEM