2022 será um ano de reconstrução e desafios


Com o avanço dos indicadores de vacinação, que afeta positivamente a confiança dos agentes econômicos, o Brasil tem apresentado resultados positivos em termos de produção, vendas, serviços e emprego, consolidando o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 com crescimento ao redor de 5%. Porém, para 2022, os desafios não são poucos para que o motor econômico continue em alta rotação. A boa notícia é que os efeitos deletérios promovidos pela pandemia da covid-19 serão dissipados ou, na pior das hipóteses, reduzidos sobremaneira.


O cenário de recuperação do crescimento econômico brasileiro para 2022 tem se confirmado, entretanto, em ritmo mais lento que o desejado e necessário para retomar a tração econômica perdida em 2020. A perda de ritmo decorre dos desafios que serão enfrentados em 2022, como o ambiente fiscal ainda frágil, o nível de inflação elevada, a continuidade da elevação da taxa de juros básica, mercado de trabalho ainda em compasso de espera, crise hídrica no radar, cenário global em ajuste com mudanças na política monetária nos Estados Unidos e também o mercado imobiliário na China, bem como o ambiente político conturbado no Brasil em virtude do período eleitoral que, tradicionalmente, rouba a atenção da gestão pública e reduz a marcha dos projetos em curso.


O cenário prospectivo segue embaralhado com o enfraquecimento das chances de aprovação das reformas estruturantes, como o Programa Federal de Concessões e Privatizações, a Reforma Tributária, a Reforma Administrativa e o Novo Pacto Federativo, pois, em virtude da corrida eleitoral de 2022, houve postergação dessas votações no Congresso Nacional. É importante ressaltar que a aprovação dessas reformas, quando ocorrer, deverá contribuir para maior estabilidade fiscal em médio e longo prazos e com efeitos direto na redução da pressão sobre a taxa de câmbio com possível trajetória de valorização do real frente ao dólar, ainda que de forma branda, já que a variação da moeda nacional também sofre os reflexos das alterações no cenário internacional.


Pelo lado positivo destacamos o avanço do número de pessoas empregadas com carteira assinada, que superou a marca de 1,5 milhão de pessoas no primeiro semestre e que deve encerrar 2021 ao redor de 2 milhões de novos empregos com carteira assinada. Além disso, há os resultados das contas públicas inferiores ao estimado pelo governo, além do importante resultado das contas externas com recorde do saldo da balança comercial e que têm, recorrentemente, melhorado o nível de solvência externa do país e contribuído para aliviar as tensões sofridas pela taxa de câmbio.


Já pelo lado negativo, além dos fatores que estão afetando o nível e os preços da economia e exigido da autoridade monetária maior rigor em suas decisões (alta da taxa de juros), a queda de braço entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário tem deixado os investidores com as barbas de molho. Ou seja, os investidores estão reagindo com forte redução da exposição ao risco, e os ativos brasileiros amargam as consequências: queda da bolsa de valores, desvalorização do real, elevação do risco país e aumento das taxas de juros futuros.


Por fim, reforço que a engrenagem do crescimento sustentável e do desenvolvimento econômico somente ganhará força e tração quando ocorrer a aprovação das reformas estruturantes com foco nas medidas de austeridade fiscal e uma ampla e forte agenda apoiada nos princípios da ESG (environment, social, and governance) que possam contribuir para maior estabilidade e confiança dos agentes econômicos em médio e longo prazos.


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Alex Agostini

Economista-chefe da Austin Rating, coordenador da área de projetos e estudos especiais e responsável pela área de rating de entes públicos